
Contam, não se sabe ao certo, pois tudo sobre a pessoa de Nelson Bordello está revestido de um pesado veludo vermelho de lendas, inverdades, suposições, difamações e doenças sexualmente transmissíveis. Do que se sabe, no entanto, vem de depoimentos orais que se perdem e se confundem a um mar de lendas entrelaçadas a de tantos outros personagens não menos eloqüentes e cheios de espirituosidade e amor pra dar. A seu respeito pouco podemos afirmar, pois sua figura tem o carimbo do clichê, do cinema feito na boca do lixo, de um homem maneiroso, cabelo brilhantina, impecavelmente elegante e cheirando a água velva.
Soma-se a tal clichê a dedicação férrea comparada a de um funcionário público exemplar à vida boêmia, à libertinagem, ao vício do jogo de azar e, em igual teor, ao vício às drogas legais e ilegais, sendo essas últimas consideradas também por ele como muito legais. No mais, as histórias de vida desse homem de fala mansa e mão leve não passam de especulações. Em nossas sondagens teve até quem afirmasse categoricamente que Nelson Bordello formou-se advogado na África do Sul, tendo defendido uma única causa: a da guerrilha armada. Acreditar ter ele sido terrorista fica até improvável diante de outros depoimentos colhidos que alegam que, se por um acaso o nosso personagem desempenhou uma atividade qualquer, essa foi a de cancioneiro de pérolas musicais. Aqueles que defendem essa tese contam, como se tivessem lendo passagens bíblicas, de que o mesmo era um exímio tocador de cavaquinho, instrumento que depois viria trocar pela paixão pelo pinho, tocado soberbamente com apenas dois dedos da mão direita, deixando boquiaberto seus, então, amigos mangueirenses: Cartola e Carlos Cachaça.
De nada podemos fazer se as pessoas que contam acrescentam um ou mais pontos. Mas são narrativas de quem admira o “seu” Nelson, de quem tem um pezinho na malandragem. De certo, de concreto, só mesmo a fidúcia de que a simples menção de seu nome é o bastante para despertar em nós, mortais que somos, o incontrolável apetite pelas coisas mundanas, a lascívia e a luxuria. O instigante nessa história toda é quando nos voltamos para as histórias relacionadas à sua origem, sua infância, seus amores incontáveis, os lugares por onde passou. Ao investigar o inconfessável somos sumariamente arremessados para dentro de um lugar que se parece mais com um cabaré, um bordel se preferir. Pesquise um Nelson qualquer e ajude na elucidação dessa figura, desse “menino que vê o amor pelo buraco da fechadura” e entre para a galeria daqueles que gozam a vida e dela sabem retirar algum prazer!!
Mande sua história de Nelson para nelsonbordello@gmail.com que publicaremos aqui no blog!
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